Muita gente perde a calma só em ver alguém manter a sua!

Língua de fora

 
 

SONETO LXIX

Tal vez no ser es ser sin que tú seas,
sin que vayas cortando el mediodía
como una flor azul, sin que camines
más tarde por la niebla y los ladrillos,

sin esa luz que llevas en la mano
que tal vez otros no verán dorada,
que tal vez nadie supo que crecía
como el origen rojo de la rosa,

sin que seas, en fin, sin que vinieras
brusca, incitante, a conocer mi vida,
ráfaga de rosal, trigo del viento,

y desde entonces soy porque tú eres,
y desde entonces eres, soy y somos,
y por amor seré, serás, seremos.

[Pablo Neruda]

Os Ombros Suportam O Mundo

Gosto muito de poesia. Na verdade, adoro poesia!!!

Desde criança leio Carlos Drummond de Andrade e Mário Quintana.

O 'estranho' é identificar-me desde então com a poesia desses dois grandes mestres!

 

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.

Tempo de absoluta depuração.

Tempo em que não se diz mais: meu amor.

Porque o amor resultou inútil.

E os olhos não choram.

E as mãos tecem apenas o rude trabalho.

E o coração está seco.

 

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.

Ficaste sozinho, a luz apagou-se,

mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.

És todo certeza, já não sabes sofrer.

E nada esperas de teus amigos.

 

Pouco importa venha velhice, que é a velhice?

Teus ombros suportam o mundo

e ele não pesa mais que a mão de uma criança.

As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios

provam apenas que a vida prossegue

e nem todos se libertaram ainda.

Alguns, achando bárbaro o espetáculo,

prefeririam (os delicados) morrer.

Chegou um tempo em que não adianta morrer.

Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.

A vida apenas, sem mistificação.

 

[Carlos Drummond de Andrade - Os Ombros Suportam O Mundo]

"O meu mundo não é como o dos outros. Quero demais, exijo demais. Há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que nem eu mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada. Uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade... Sei lá de quê!"
[Florbela Espanca]

 

 


www.meuespecificolugarzinho.blogspot.com

Texto da Carol, publicado no blog dela e republicado aqui, com a devida autorização, lógico. Devo acrescentar que gostei imenso do texto!

Ilha

Manhã de sol
Olhos fechados

O corpo frio
E um coração ilhado
Queimado
Esfomeado
Desesperado


No horizonte
Uma miragem
Olhos encharcados
E um fio de esperança
Criança

Que dança
Lembrança...

Gaivota canta
Canção misteriosa
Ouvidos atentos
E uma certeza
Clareza
Beleza
Tristeza


Solidão é chaga aberta
Rima de saudade
Consumida por recordações,
Folhas secas de outono
Que vagam à toa, à toa...

Lembranças tatuadas na alma
De tudo o que se foi
E do que se sonhava ser
Recordações de tudo o que se viveu
E do que nem chegou a existir

Manhã de sol
Olhos abertos

O corpo quente
E uma realidade revelada
Clareza
Que dança
Desesperada


[Carol Madureira]

Hoje?!?!

Hoje...

Só me apetece calar

Só me apetece sumir

Não existir

Queria que a noite do sábado tivesse amanhecido segunda-feira

I'm so happy!

Estou mesmo muito, muito feliz! Tem acontecido coisas maravilhosas em minha vida e tudo agora parece fazer sentido!

"Entre tantos outros, entre tantos séculos, que sorte a nossa hein? Entre tantas paixões, nosso encontro, nós dois, esse amor!"

Hoje encontrei no portátil um pequeno texto que escrevi em 2008, mas que não publiquei aqui no blog. Como não posto nada aqui há muito tempo, vai esse texto mesmo. Sem correção, nem ajustes!

“Aff, que música brega!”

 

Com essa expressão, proclamada com todos os pontos de exclamação possíveis, meu colega de mesa demonstrou toda a sua total e irrestrita ignorância sobre quem seria o dono daquela voz tão ímpar e inconfundível (até mesmo quando se utilizou de um pseudônimo para burlar a censura).

 

Não sei se por que sou uma admiradora incondicional da obra de Chico, me quedei estupefata diante da ‘(de)formação musical’ do meu companheiro de mesa de almoço. Tocava ‘O Meu Guri’ nas caixinhas de som do restaurante.

 

Eu havia me sentado à mesa há apenas cinco minutos e me preparava para um verdadeiro banquete que, para mim, seria ideal a toda família brasileira: comida de qualidade, bem servida e com fundo musical de qualidade ainda maior, em vez da famigerada telinha platinada com seus ‘noticiários 1ª edição’ que tiram a atenção e o gosto do que se ingere.

 

Lógico que encarei tal afirmação como um insulto à minha chegada e respondi, com todos os mesmos pontos de exclamação possíveis e cabeça enfiada no prato, que brega seria mesmo rotular como ‘brega’ uma música de Buarque.

 

O bom é que para meu deleite, e indigestão do meu companheiro do lado esquerdo, seguiu-se ‘Tatuagem’, ‘Cotidiano’, ‘Atrás da Porta’, ‘O Que Será’...

 

Igualzinho ao meu primeiro e único cd (original) de Chico, comprado quando tinha apenas 17 anos. É o primeiro som que escuto desde aquelas manhãs...

É tudo exclamação!

Sem três pontinhos...

Ando desfazendo laços nos últimos dias...

Físicos, materiais e, por que não dizer, afetivos... Sim, afetivos!

Dei minha 'coleção' com dezassete orquídeas phalaenopsis e um bonsai Ficus.

Hoje fiz a última rega das orquídeas e borrifei pela última vez o bonsai. Tratei-os com o mesmo carinho e zelo de sempre, sem denunciar que estava, na verdade, me despedindo deles...

Senti-me como uma mãe que acaricia pela última vez o filho que carrega no ventre e dentro de mais algumas horas o vai destruir...

'...se eu tivesse mais alma pra dar eu daria...'

'A escrita é premonitória.'

“... Não escrevemos o que queremos; escrevemos o que somos. Não há como fugir a essa fatalidade. Todo o processo da escrita literária é interior. A palavra é subjetiva, e, por isso mesmo, reveladora. O uso literário da palavra fundamenta-se na razão e na imaginação. Imaginação e memória se confundem. Quando escolhemos um tema sobre o qual escrever, já estamos imprimindo nessa escolha as nossas aptidões, preferências, nossos interesses, aspirações, nossa história, a memória de nossa família, a ancestral de nosso Ser mais amplo. A escolha das palavras a serem usadas, a maneira como dispomos essas palavras, num fluxo movido pelo pensamento, pelas emoções, também são formas de registrarmos nosso Ser. O mais surpreendente é que parafraseando Flaubert, podemos nos transformar, cada vez mais, naquilo que almejamos.

O itinerário de construção de uma obra literária é o mesmo da construção de um ser, de uma personalidade. Se não ocorre esse movimento, alguém não está criando uma obra de literatura. Enquanto a pessoa constrói uma obra, constrói a si mesma. Ou seja, somos o que escrevemos. Você pode transformar uma parte de si mesmo, ou, pelo menos, conduzir seu movimento interior num certo sentido. (...) No processo de criação da obra, escavamos, submergimos, nos avizinhamos de nossa índole profunda, quase sempre, prevista, pois a escrita desenvolve nosso instinto de suposição, de predição, da conjetura, da evocação. A escrita é premonitória. Por isso, temos tanto medo de uma folha em branco.”

Ana Miranda - escritora [texto publicado na revista Caros Amigos, em abril de 2007]

http://www.anamirandaliteratura.hpgvip.com.br/

Meia felicidade...

Será que existe?!

Pois, ultimamente tenho me sentido assim... Não sou completamente feliz [até acredito que não existe felicidade total, geral e irrestrita], mas também não sou infeliz. O fato é que tenho estado descontente com algumas coisas... Tenho estado também muito impaciente!

Impaciente por que determinadas coisas insistem em não acontecer... [Sim, sei que tudo tem seu tempo e que, nada, nada mesmo, acontecerá antes da hora!]

O tempo!

Ah, o tempo! Esse Senhor implacável e inexorável...

Sinto muitas saudades dos meus amigos, da vida em Aracaju, do lugar, do ambiente, do clima. Saudades mesmo de ir à praia...

A saudade que sinto dos meus amigos aliada ao fim do meu casamento talvez andem me deixando assim.

Não digo que estou arrependida de ter vindo embora. Não, não estou. Poderia mesmo ter continuado com minha vidinha simples à beira-mar em vez de encarar um novo desafio.

 

Sim, poderia!

 

Mas esta não seria eu!

 
 

Poesia Para A Vida!

"Vê formaram-se sobre todas as águas
Todas as nuvens.
Os ventos virão de todos os nortes.
Os dilúvios cairão sobre todos os mundos.
Tu não morrerás.
Não há nuvens que te escureçam.
Não há ventos que te desfaçam.
Não há águas que te afoguem.
Tu és a própria nuvem,
O próprio vento,
A própria chuva sem fim..."

Cecília Meireles

Definitivamente, nem sei o que escrever aqui...

Embora sinta necessidade de escrever algo!

A questão é que não consigo colocar em palavras o que estou sentindo no momento...

Por mais que tenhamos consciência de que já não dá, separar é sempre doloroso...

Muito doloroso, eu diria!

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