'De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure'

[Soneto da Fidelidade - Vinicius de Moraes]

'Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.'


(Traduzir-se - Ferreira Gullar)

sim, de fato, sinto um nó na garganta e um aperto no peito...

uma inquietação no ser, no estar... abundante!

não, ainda não foi desta vez que aprendi!

descobrir-se apaixonado por alguém, coração aos pulos, sorrisão no rosto...

saber que não vai dar em nada... :-S

arriscar? abrir mão?

P R O J E T A N D O   A   L O N G U Í S S I M O   P R A ZO!!!

 

TÃO BOM SABER E SENTIR QUE NÃO PERDI ESSA CAPACIDADE! :)

Súplica a Yansã

Ardentes como as quentes areias terrenas 
Pairam no ar dúvidas que jamais pensei 
Brisas me aliviam as maçãs, já morenas
E anunciam ventanias que jamais busquei

Na imensidão do mar azul, mensagem.

Onde afogo profundos pensamentos meus 
À mãe Yansã, após justa homenagem, 
Peço alegria em cada triste adeus

Que Ela domine as cruéis tempestades

Que porventura me estejam a circundar
E governe rajadas de raios e luzes
Para afastar todo o mal que se me aproximar

Se me ouvindo 
estiveres, aguerrida guerreira
Concede-me a força, a coragem e o poder
Que te fazem tão bela, altiva e fagueira
Que nem Xangô e Ogum lhe puderam conter

Empunha a adaga e o chicote cintilante

Protege-me e guia-me nas escolhas vitais
Dá-me sabedoria e a tua graça vibrante
Epahei Oyá! E Axé a todos os Orixás!

 

[do blog da Rebecca - http://merasimpressoes.blogspot.com/]

 

'Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.' [Clarice Lispector]

'O verdadeiro poder é interior! Não se baseia em status, aparências e posição social ou profissional.'

63. 'Toda a vida da alma humana é um movimento na penumbra. Vivemos, num lusco-fusco da consciência, nunca certos com o que somos ou com o que nos supomos ser. Nos melhores de nós vive a vaidade de qualquer coisa, e há um erro cujo ângulo não sabemos. Somos qualquer coisa que se passa no intervalo de um espectáculo; por vezes, por certas portas, entrevemos o que talvez não seja senão cenário. Todo o mundo é confuso, como vozes na noite.

...

É nestas horas de um abismo na alma que o mais pequeno pormenor me oprime como uma carta de adeus. Sinto-me constantemente numa véspera de despertar, sofro-me o invólucro de mim mesmo, num abafamento de conclusões. De bom grado gritaria se a minha voz chegasse a qualquer parte. Mas há um grande sono comigo, e desloca-se de umas sensações para outras como uma sucessão de nuvens, das que deixam de diversas cores de sol e verde a relva meio ensombrada dos campos prolongados.'

[Livro do Desassossego - Fernando Pessoa]

'Se quiser que os outros sejam felizes, pratique a compaixão.

Se quiser ser feliz, pratique o desapego.'

 

by carol madureira

Sou daquele tipo de pessoa que pensa demais [alguns acham que isso significa ter os pés bem assentes no chão].

Penso. Penso. Repenso. Penso mais uma vez e outra...

Penso no que foi. No que não foi.

Penso no que é e o que não é.

Penso no que poderia ter sido. O que não poderia.

O fato é que me incomodo muito com isso e acredito que essa atitude me prende demasiado a certas pessoas e acontecimentos.

Por vezes, gostava imenso de dar menor importância a algumas coisas.

Ou apenas a importância que elas realmente têm.

Ou seja. Nenhuma.

Mudar isso faz parte de uma nova postura de vida que tenho procurado praticar no último ano [nos últimos meses de forma mais disciplinada e consciente].

O desapego.

Deixar que algumas pessoas sigam seu rumo sem que eu sofra muito por isso também faz parte desse processo de aprendizado.

hoje estive mesmo a pensar sobre algo que uma pessoa disse a mim recentemente:


'o tempo por vezes somos nós que o fazemos'

 

e agora acrescento:

 

'a importância que certas coisas têm na nossa vida também...'

sou sempre álvaro de campos...

'Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero

...

Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei
Se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência,
Consangüinidade com o mistério das coisas, choque
Aos contatos, sangue sob golpes, estremeção aos ruídos,
Ou se há outra significação para isto mais cômoda e feliz.

Seja o que for, era melhor não ter nascido,
Porque, de tão interessante que é a todos os momentos,
A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,
A dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair
Para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas,
E ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos,
Entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs,
E tudo isto devia ser qualquer outra coisa mais parecida com o que eu penso,
Com o que eu penso ou sinto, que eu nem sei qual é, ó vida.

Cruzo os braços sobre a mesa, ponho a cabeça sobre os braços,

É preciso querer chorar, mas não sei ir buscar as lágrimas...
Por mais que me esforce por ter uma grande pena de mim, não choro,
Tenho a alma rachada sob o indicador curvo que lhe toca...
Que há de ser de mim? Que há de ser de mim?

Vi todas as coisas, e maravilhei-me de tudo,
Mas tudo ou sobrou ou foi pouco - não sei qual - e eu sofri.
Vivi todas as emoções, todos os pensamentos, todos os gestos,
E fiquei tão triste como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse.
Amei e odiei como toda gente,
Mas para toda a gente isso foi normal e instintivo,
E para mim foi sempre a exceção, o choque, a válvula, o espasmo.

Vem, ó noite, e apaga-me, vem e afoga-me em ti.

Ó carinhosa do Além, senhora do luto infinito,
Mágoa externa na Terra, choro silencioso do Mundo.
Mãe suave e antiga das emoções sem gesto,
Irmã mais velha, virgem e triste, das idéias sem nexo,
Noiva esperando sempre os nossos propósitos incompletos,
A direção constantemente abandonada do nosso destino,
A nossa incerteza pagã sem alegria,
A nossa fraqueza cristã sem fé,
O nosso budismo inerte, sem amor pelas coisas nem êxtases,
A nossa febre, a nossa palidez, a nossa impaciência de fracos,
A nossa vida, o mãe, a nossa perdida vida...

Não sei sentir, não sei ser humano, conviver

De dentro da alma triste com os homens meus irmãos na terra.
Não sei ser útil mesmo sentindo, ser prático, ser quotidiano, nítido,
Ter um lugar na vida, ter um destino entre os homens,
Ter uma obra, uma força, uma vontade, uma horta,
Unia razão para descansar, uma necessidade de me distrair,
Uma cousa vinda diretamente da natureza para mim.

...

Sentir tudo de todas as maneiras,
Viver tudo de todos os lados,
Ser a mesma coisa de todos os modos possíveis ao mesmo tempo,
Realizar em si toda a humanidade de todos os momentos
Num só momento difuso, profuso, completo e longínquo.

Eu quero ser sempre aquilo com quem simpatizo,

Eu torno-me sempre, mais tarde ou mais cedo,
Aquilo com quem simpatizo, seja uma pedra ou uma ânsia,
Seja uma flor ou uma idéia abstrata,
Seja uma multidão ou um modo de compreender Deus.
E eu simpatizo com tudo, vivo de tudo em tudo.
São-me simpáticos os homens superiores porque são superiores,
E são-me simpáticos os homens inferiores porque são superiores também,
Porque ser inferior é diferente de ser superior,
E por isso é uma superioridade a certos momentos de visão.
Simpatizo com alguns homens pelas suas qualidades de caráter,
E simpatizo com outros pela sua falta dessas qualidades,
E com outros ainda simpatizo por simpatizar com eles,
E há momentos absolutamente orgânicos em que esses são todos os homens.
Sim, como sou rei absoluto na minha simpatia,
Basta que ela exista para que tenha razão de ser.
Estreito ao meu peito arfante, num abraço comovido,
(No mesmo abraço comovido)
O homem que dá a camisa ao pobre que desconhece,
O soldado que morre pela pátria sem saber o que é pátria,
E o matricida, o fratricida, o incestuoso, o violador de crianças,
O ladrão de estradas, o salteador dos mares,
O gatuno de carteiras, a sombra que espera nas vielas —
Todos são a minha amante predileta pelo menos um momento na vida.

...

Multipliquei-me, para me sentir,
Para me sentir, precisei sentir tudo,
Transbordei, não fiz senão extravasar-me,
Despi-me, entreguei-me,
E há em cada canto da minha alma um altar a um deus diferente.

...

[passagem das horas]

Mudanças são SEMPRE bem-vindas.


O pior que se pode fazer é tentar permanecer igual.


Impossível.

Ultimamente tenho vindo muito pouco aqui e não tenho tido paciência de expor minha vida, os meus sentimentos e o que acontece comigo. Digo que muitas coisas tem acontecido, isso é verdade. Algumas me deixam triste, fazem-me sofrer um bocado, chorar. Outras, ainda bem, compensam-me, e muito, pelos momentos em baixo. Talvez essa introspecção seja coisa da idade que chega e mais um daqueles ciclos de cinco anos... Sei é que a cada dia aprendo a ouvir mais, observar mais, falar menos... Sei também que a cada dia acredito mais na Lei da Vida. Lei do Retorno. Se damos amor recebemos amor de volta. Se somos indiferentes, indiferença temos de volta...

E uma das coisas que me tem compensado muito nos últimos meses é o exercício físico. A ele tenho me dedicado e excelentes dias tenho recebido em troca. E não me refiro a frequentar um ginásio e puxar ferros... Desde dezembro do ano passado, embora com algumas interrupções, aderi ao Pilates, um método de alongamento e exercícios físicos que utiliza o peso do próprio corpo para a sua execução. Basicamente busca-se reeducar os movimentos corporais e a partir disso restabelecer e aumentar a flexibilidade e força muscular, melhorar a respiração, corrigir a postura e prevenir lesões.

Não bastasse o Pilates, há duas semanas aderi a outra atividade física oferecida pelo ginásio que frequento. Denominada por eles de Body Balance [marca registrada], é um treino baseado em Yoga, Tai Chi e Pilates. Escusado dizer o quanto estou gostando da experiência e mais que exercício físico praticar esses movimentos torna-se uma filosofia de vida, visto que todos eles baseiam-se no princípio mens sana in corpore sano, busca e afirmação de consciência interior e corporal, harmonia com a Natureza e consigo próprio, além da objecção a qualquer tipo de violência.

Deixo abaixo um trecho de um livro que estou lendo sobre Tai Chi para que entendam minimamente a origem dessa filosofia:

 

O Tai Chi e a Filosofia Tauista

 

O termo Tai Chi pode ser traduzido de várias formas. Por um lado, pode significar ‘a trave mestra que suporta o telhado da casa’, constituindo uma metáfora de ligação entre o Céu e a Terra. Os Chineses antigos imaginavam a Terra como uma superfície quadrangular sobre a qual o céu se apresentava como uma cúpula, suportado por uma grande viga (o Tai Chi) que se estendia até às profundezas da Terra. É desta forma que o Homem se deve colocar, bem enraizado na Terra e erecto em direcção ao céu, entre estes dois pólos.

Num sentido mais filosófico, Tai Chi significa o ‘sublime derradeiro’ ou ‘a lei fundamental’, que pode também ser extraída do termo ‘Tau’. Em todos os relatos e escrituras, Tau significa energia primordial e essência original de toda a Criação. Em português, as traduções existentes são ‘sentido’, ‘palavra’, ‘caminho’, ‘verdade’, ‘Deus’, as quais, contudo, apenas revelam um dos aspectos do conceito original. Os Chineses não conhecem a imagem de Deus como Criador activo, o que faz que o Tau vá mais além do que qualquer conceito de Deus de qualquer religião do mundo: o Tau abrange tudo o que existe, mas também tudo o que não existe.

É frequente encontrar a designação de ‘Tai Chi Chuan’ (ou Taijiquan) em vez de ‘Tai Chi’. A sílaba ‘Chuan’ significa ‘punho’ e alude à origem do Tai Chi como escola de artes marciais. Dado que hoje em dia é dada especial ênfase ao aspecto da meditação em movimento, esta sílaba é muitas vezes ignorada.

O Tauismo não é uma religião propriamente dita e, à semelhança do confucionismo, seu contemporâneo na China, pode ser definido como um tipo de filosofia de vida. Lao Tsé é considerado o fundador do tauismo e, tal como Confúcio e Buda, viveu cerca de 500 anos antes de Cristo. Enquanto Confúcio elaborou um rígido sistema de hierarquias morais e sociais, Lao Tsé, nos seus 81 versos para a posteridade (reunidos no Tao Te King), formulou uma teoria orientada para a consciência interior, a harmonia com a Natureza e a objecção a qualquer tipo de violência. Em redor de Lao Tsé existem inúmeras lendas e nem mesmo se tem a certeza de que ele tenha, de facto, existido, ou de que, na realidade, tenha escrito os referidos versos.

Richard Wilhelm, cujas traduções de 1910 permanecem as mais conhecidas até hoje, designou o Tao Te King em epígrafe como O Livro Do Caminho E Da Sua Virtude. Muitos dos seus versos exprimem claramente os princípios básicos do Tai Chi, especialmente o 78, no qual se lê o seguinte:

 

‘No mundo inteiro

não há nada mais suave

e mais frágil do que a água.

E, contudo, pela forma

como maltrata os mais duros,

nada se lhe assemelha.

Nada a pode modificar.

Que o mais fraco vence o forte

e que o suave vence o duro,

toda a gente do mundo o sabe

e, contudo, ninguém

sabe aplicar esta sabedoria.’

 

(Manual de Tai Chi – Dr. Thomas Methfessel)

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