Acabei de chegar a casa e ainda estou batendo o pé ao ritmo da devil's guitar de Josh White Jr! Nossa, que concerto maravilhoso! Estupendo! Super intimista e muito, muito envolvente! E como estou contente por não ter desistido de ir ao show [sozinha, tempo mau, trabalhar cedo no outro dia... desculpas e desculpas!]. A apresentação do Josh White Jr. fez parte do programa do Hootenanny, um ciclo de comemorações criado pela Culturgest e dedicado à música popular e tradicional norte-americana.
Durante seis dias [30 de janeiro a 5 de fevereiro] os presentes verão, ouvirão e sentirão a estranha e sensual sedução da devil's music - os blues. No primeiro dia rolou a apresentação de Corey Harris e The Rasta Blues Experience, um dos mais importantes nomes do blues e da música afro-americana atual [ainda estou chateada por não ter conseguido bilhetes!]. Além de grande músico, o Corey é antropólogo e estuda as ligações entre a música africana e a música norte-americana.
No dia seguinte, 01 de fevereiro, foi exibido gratuitamente um vídeo sobre Josh White, um dos mais influentes músicos de blues e dos que mais contribuiu para a divulgação da música vocal nascida no Delta do Mississipi. O vídeo projetado é resultado da montagem de diversos materiais sobre Josh White, todo a preto e branco. O filho do guitarrista, Josh White Jr., acompanhou a projeção e dialogou com o público.
E hoje, bem, hoje, foi o dia de prestigiar o super talento do Josh White Jr. Cantor, compositor, ator, guitarrista da folk/blues, da pop, do jazz, professor e ativista social. Ufa! Sem mencionar o fato de ser super simpático e divertido, com uma gargalhada contagiante e uma voz estrondosa! Ah, também vale mencionar o desempenho do contrabaixista português, João Custódio, que acompanhou o Josh no concerto.
E ainda faço inveja aos meus amigos guitarristas. É que vai rolar amanhã com o Josh White Jr. uma master class dedicada à guitarra de blues e em especial ao estilo de Josh White. Sabe quanto custa? 10 eurinhos! Pois é! 10 eurinhos! É mesmo uma pena eu não saber tocar guitarra!
Amanhã vai rolar ainda a exibição do longa metragem Cadillac Records. O filme mostra um pouco do ambiente musical da Chicago afro-americana dos anos 50 e da evolução dos blues, do r&b e da influência essencial de Robert Johnson. Os comentários são de Elijah Wald, historiador e músico que se apresenta na quinta-feira, seguindo a programação do Hootenanny. De acordo com o programa do Ciclo, Elijah Wald é o 'cara' que explica Como os Beatles destruiram o Rock'n'Roll. Antes do longa, pra galera entrar no clima, vai ser exibido um clip mostrando a atuação de Muddy Waters e a sua banda no Festival de Jazz de Newport de 1960, tocando Got My Mojo Working.
Pra encerrar o Hootenanny 2010 [e eu morrendo mais ainda de raiva por não ter conseguido bilhetes!], na sexta-feira é a vez do pianista Henry Butler. Pois é. O orgulho de New Orleans na Culturgest por apenas 5 euros e eu vou ficar em casa! O cara foi nomeado oito vezes para o prêmio de melhor pianista do W.C. Handy Award [Blues Music Award], o mais prestigiado troféu da área do blues. Nem falo nos mestrados de formação clássica-erudita em piano, trompete, trombone, percussão e voz e nos trabalhos com George Duke, Cannonball Aderly, Roland Hanna e Lee Morgan... Segundo Butler, a sua música é uma amálgama de jazz, música do Caribe, do Brasil, de Cuba, da pop, do blues e do r&b.
É mesmo uma pena eu não ter encontrado um bom video do Josh White Jr pra postar aqui. E nem uma fotinho... Rian, meu filho, lembrei muito de você durante o concerto ouvindo aquela guitarra tocada tão perfeitamente! Ah, também senti falta da minha garrafa de Courvoisier..
;-)
Nostalgias
Quiero emborrachar mi corazón
para borrar un loco amor
que más que amor es un sufrir
Y aquí vengo para eso
a borrar antiguos besos
en los besos de otras bocas
Si tu amor fue flor de un día
¿porqué causa es siempre mía
esa cruel preocupación?
Quiero por los dos mi copa alzar
para así poder brindar por los fracasos del amor.
Nostalgias
De escuchar su risa loca
Y sentir junto a mi boca
Como un fuego su respiración.
Angustia
de sentirme abandonado
y pensar que otro a tu lado
pronto… pronto le hablará de amor
¡Hermano!
Yo no quiero rebajarme
ni pedirle, ni llorarle
ni decirle que no puedo más vivir
Desde mi triste soledad veré caer
las rosas muertas de mi juventud
Gime, bandoneón, tu tango gris
quizá a ti te hiera igual
algún amor sentimental
Llora mi alma de fantoche
sola y triste en esta noche
noche negra y sin estrellas
Si las copas traen consuelo
aquí estoy con mi desvelo
para ahogarlos de una vez
Quiero emborrachar mi corazón
para así poder brindar
Por los fracasos del amor
“por los fracasos del amor”…
[Juan Carlos Cobián y Enrique Cadícamo en la voz de Buika]
Eu Só Penso No Sol
"Quando está frio no tempo frio, para mim é como se estivesse agradável,
Porque para o meu ser adequado à existência das coisas
O natural é o agradável só por ser natural.
Aceito as dificuldades da vida porque são o destino,
Como aceito o frio excessivo no alto do Inverno -
Calmamente, sem me queixar, como quem meramente aceita,
E encontra uma alegria no facto de aceitar -
No facto sublimemente científico e difícil de aceitar o natural inevitável.
Que são para mim as doenças que tenho e o mal que me acontece
Senão o Inverno da minha pessoa e da minha vida?
O Inverno irregular, cujas leis de aparecimento desconheço,
Mas que existe para mim em virtude da mesma fatalidade sublime,
Da mesma inevitável exterioridade a mim,
Que o calor da terra no alto do Verão
E o frio da terra no cimo do Inverno.
Aceito por personalidade.
Nasci sujeito como os outros a erros e a defeitos,
Mas nunca ao erro de querer compreender demais,
Nunca ao erro de querer compreender só com a inteligência.
Nunca ao defeito de exigir do Mundo
Que fosse qualquer coisa que não fosse o Mundo."
[Alberto Caeiro]
Primeiro post de 2010!
É, fico sempre sem saber o que escrever por essas épocas [Natal, Ano Novo]. Costumo desejar aos amigos, familiares e afins muita saúde e prosperidade. Na verdade, desejo isso sempre! Todos os dias! E acredito que talvez seja isso que falta em nosso dia a dia: desejar mais coisas boas não só para aquelas pessoas que estão ao nosso redor, mas a todo e qualquer ser vivo! Desejar que todos tenham saúde, disposição, força, fé e coragem.
Muita gente perde a calma só em ver alguém manter a sua!
SONETO LXIX
Tal vez no ser es ser sin que tú seas, sin que vayas cortando el mediodía como una flor azul, sin que camines más tarde por la niebla y los ladrillos,
sin esa luz que llevas en la mano que tal vez otros no verán dorada, que tal vez nadie supo que crecía como el origen rojo de la rosa,
sin que seas, en fin, sin que vinieras brusca, incitante, a conocer mi vida, ráfaga de rosal, trigo del viento,
y desde entonces soy porque tú eres, y desde entonces eres, soy y somos, y por amor seré, serás, seremos.
[Pablo Neruda]
Os Ombros Suportam O Mundo
Gosto muito de poesia. Na verdade, adoro poesia!!!
Desde criança leio Carlos Drummond de Andrade e Mário Quintana.
O 'estranho' é identificar-me desde então com a poesia desses dois grandes mestres!
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
[Carlos Drummond de Andrade - Os Ombros Suportam O Mundo]
"O meu mundo não é como o dos outros. Quero demais, exijo demais. Há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que nem eu mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessimista; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada. Uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade... Sei lá de quê!"
[Florbela Espanca]
www.meuespecificolugarzinho.blogspot.com
Texto da Carol, publicado no blog dela e republicado aqui, com a devida autorização, lógico. Devo acrescentar que gostei imenso do texto!
Ilha
Manhã de sol Olhos fechados O corpo frio E um coração ilhado Queimado Esfomeado Desesperado
No horizonte Uma miragem Olhos encharcados E um fio de esperança Criança Que dança Lembrança...
Gaivota canta Canção misteriosa Ouvidos atentos E uma certeza Clareza Beleza Tristeza
Solidão é chaga aberta Rima de saudade Consumida por recordações, Folhas secas de outono Que vagam à toa, à toa...
Lembranças tatuadas na alma De tudo o que se foi E do que se sonhava ser Recordações de tudo o que se viveu E do que nem chegou a existir
Manhã de sol Olhos abertos O corpo quente E uma realidade revelada Clareza Que dança Desesperada
[Carol Madureira]
Hoje?!?!
Hoje...
Só me apetece calar
Só me apetece sumir
Não existir
Queria que a noite do sábado tivesse amanhecido segunda-feira
I'm so happy!
Estou mesmo muito, muito feliz! Tem acontecido coisas maravilhosas em minha vida e tudo agora parece fazer sentido!
"Entre tantos outros, entre tantos séculos, que sorte a nossa hein? Entre tantas paixões, nosso encontro, nós dois, esse amor!"
Hoje encontrei no portátil um pequeno texto que escrevi em 2008, mas que não publiquei aqui no blog. Como não posto nada aqui há muito tempo, vai esse texto mesmo. Sem correção, nem ajustes!
“Aff, que música brega!”
Com essa expressão, proclamada com todos os pontos de exclamação possíveis, meu colega de mesa demonstrou toda a sua total e irrestrita ignorância sobre quem seria o dono daquela voz tão ímpar e inconfundível (até mesmo quando se utilizou de um pseudônimo para burlar a censura).
Não sei se por que sou uma admiradora incondicional da obra de Chico, me quedei estupefata diante da ‘(de)formação musical’ do meu companheiro de mesa de almoço. Tocava ‘O Meu Guri’ nas caixinhas de som do restaurante.
Eu havia me sentado à mesa há apenas cinco minutos e me preparava para um verdadeiro banquete que, para mim, seria ideal a toda família brasileira: comida de qualidade, bem servida e com fundo musical de qualidade ainda maior, em vez da famigerada telinha platinada com seus ‘noticiários 1ª edição’ que tiram a atenção e o gosto do que se ingere.
Lógico que encarei tal afirmação como um insulto à minha chegada e respondi, com todos os mesmos pontos de exclamação possíveis e cabeça enfiada no prato, que brega seria mesmo rotular como ‘brega’ uma música de Buarque.
O bom é que para meu deleite, e indigestão do meu companheiro do lado esquerdo, seguiu-se ‘Tatuagem’, ‘Cotidiano’, ‘Atrás da Porta’, ‘O Que Será’...
Igualzinho ao meu primeiro e único cd (original) de Chico, comprado quando tinha apenas 17 anos. É o primeiro som que escuto desde aquelas manhãs...
É tudo exclamação!
Sem três pontinhos...
Ando desfazendo laços nos últimos dias...
Físicos, materiais e, por que não dizer, afetivos... Sim, afetivos!
Dei minha 'coleção' com dezassete orquídeas phalaenopsis e um bonsai Ficus.
Hoje fiz a última rega das orquídeas e borrifei pela última vez o bonsai. Tratei-os com o mesmo carinho e zelo de sempre, sem denunciar que estava, na verdade, me despedindo deles...
Senti-me como uma mãe que acaricia pela última vez o filho que carrega no ventre e dentro de mais algumas horas o vai destruir...