Texto da Carol, publicado no blog dela e republicado aqui, com a devida autorização, lógico. Devo acrescentar que gostei imenso do texto!
Ilha
Manhã de sol Olhos fechados O corpo frio E um coração ilhado Queimado Esfomeado Desesperado
No horizonte Uma miragem Olhos encharcados E um fio de esperança Criança Que dança Lembrança...
Gaivota canta Canção misteriosa Ouvidos atentos E uma certeza Clareza Beleza Tristeza
Solidão é chaga aberta Rima de saudade Consumida por recordações, Folhas secas de outono Que vagam à toa, à toa...
Lembranças tatuadas na alma De tudo o que se foi E do que se sonhava ser Recordações de tudo o que se viveu E do que nem chegou a existir
Manhã de sol Olhos abertos O corpo quente E uma realidade revelada Clareza Que dança Desesperada
[Carol Madureira]
Hoje?!?!
Hoje...
Só me apetece calar
Só me apetece sumir
Não existir
Queria que a noite do sábado tivesse amanhecido segunda-feira
I'm so happy!
Estou mesmo muito, muito feliz! Tem acontecido coisas maravilhosas em minha vida e tudo agora parece fazer sentido!
"Entre tantos outros, entre tantos séculos, que sorte a nossa hein? Entre tantas paixões, nosso encontro, nós dois, esse amor!"
Hoje encontrei no portátil um pequeno texto que escrevi em 2008, mas que não publiquei aqui no blog. Como não posto nada aqui há muito tempo, vai esse texto mesmo. Sem correção, nem ajustes!
“Aff, que música brega!”
Com essa expressão, proclamada com todos os pontos de exclamação possíveis, meu colega de mesa demonstrou toda a sua total e irrestrita ignorância sobre quem seria o dono daquela voz tão ímpar e inconfundível (até mesmo quando se utilizou de um pseudônimo para burlar a censura).
Não sei se por que sou uma admiradora incondicional da obra de Chico, me quedei estupefata diante da ‘(de)formação musical’ do meu companheiro de mesa de almoço. Tocava ‘O Meu Guri’ nas caixinhas de som do restaurante.
Eu havia me sentado à mesa há apenas cinco minutos e me preparava para um verdadeiro banquete que, para mim, seria ideal a toda família brasileira: comida de qualidade, bem servida e com fundo musical de qualidade ainda maior, em vez da famigerada telinha platinada com seus ‘noticiários 1ª edição’ que tiram a atenção e o gosto do que se ingere.
Lógico que encarei tal afirmação como um insulto à minha chegada e respondi, com todos os mesmos pontos de exclamação possíveis e cabeça enfiada no prato, que brega seria mesmo rotular como ‘brega’ uma música de Buarque.
O bom é que para meu deleite, e indigestão do meu companheiro do lado esquerdo, seguiu-se ‘Tatuagem’, ‘Cotidiano’, ‘Atrás da Porta’, ‘O Que Será’...
Igualzinho ao meu primeiro e único cd (original) de Chico, comprado quando tinha apenas 17 anos. É o primeiro som que escuto desde aquelas manhãs...
É tudo exclamação!
Sem três pontinhos...
Ando desfazendo laços nos últimos dias...
Físicos, materiais e, por que não dizer, afetivos... Sim, afetivos!
Dei minha 'coleção' com dezassete orquídeas phalaenopsis e um bonsai Ficus.
Hoje fiz a última rega das orquídeas e borrifei pela última vez o bonsai. Tratei-os com o mesmo carinho e zelo de sempre, sem denunciar que estava, na verdade, me despedindo deles...
Senti-me como uma mãe que acaricia pela última vez o filho que carrega no ventre e dentro de mais algumas horas o vai destruir...
'...se eu tivesse mais alma pra dar eu daria...'
'A escrita é premonitória.'
“... Não escrevemos o que queremos; escrevemos o que somos. Não há como fugir a essa fatalidade. Todo o processo da escrita literária é interior. A palavra é subjetiva, e, por isso mesmo, reveladora. O uso literário da palavra fundamenta-se na razão e na imaginação. Imaginação e memória se confundem. Quando escolhemos um tema sobre o qual escrever, já estamos imprimindo nessa escolha as nossas aptidões, preferências, nossos interesses, aspirações, nossa história, a memória de nossa família, a ancestral de nosso Ser mais amplo. A escolha das palavras a serem usadas, a maneira como dispomos essas palavras, num fluxo movido pelo pensamento, pelas emoções, também são formas de registrarmos nosso Ser. O mais surpreendente é que parafraseando Flaubert, podemos nos transformar, cada vez mais, naquilo que almejamos.
O itinerário de construção de uma obra literária é o mesmo da construção de um ser, de uma personalidade. Se não ocorre esse movimento, alguém não está criando uma obra de literatura. Enquanto a pessoa constrói uma obra, constrói a si mesma. Ou seja, somos o que escrevemos. Você pode transformar uma parte de si mesmo, ou, pelo menos, conduzir seu movimento interior num certo sentido. (...) No processo de criação da obra, escavamos, submergimos, nos avizinhamos de nossa índole profunda, quase sempre, prevista, pois a escrita desenvolve nosso instinto de suposição, de predição, da conjetura, da evocação. A escrita é premonitória. Por isso, temos tanto medo de uma folha em branco.”
Ana Miranda - escritora [texto publicado na revista Caros Amigos, em abril de 2007]
Pois, ultimamente tenho me sentido assim... Não sou completamente feliz [até acredito que não existe felicidade total, geral e irrestrita], mas também não sou infeliz. O fato é que tenho estado descontente com algumas coisas... Tenho estado também muito impaciente!
Impaciente por que determinadas coisas insistem em não acontecer... [Sim, sei que tudo tem seu tempo e que, nada, nada mesmo, acontecerá antes da hora!]
O tempo!
Ah, o tempo! Esse Senhor implacável e inexorável...
Sinto muitas saudades dos meus amigos, da vida em Aracaju, do lugar, do ambiente, do clima. Saudades mesmo de ir à praia...
A saudade que sinto dos meus amigos aliada ao fim do meu casamento talvez andem me deixando assim.
Não digo que estou arrependida de ter vindo embora. Não, não estou. Poderia mesmo ter continuado com minha vidinha simples à beira-mar em vez de encarar um novo desafio.
Sim, poderia!
Mas esta não seria eu!
Poesia Para A Vida!
"Vê formaram-se sobre todas as águas Todas as nuvens. Os ventos virão de todos os nortes. Os dilúvios cairão sobre todos os mundos. Tu não morrerás. Não há nuvens que te escureçam. Não há ventos que te desfaçam. Não há águas que te afoguem. Tu és a própria nuvem, O próprio vento, A própria chuva sem fim..."
Cecília Meireles
Definitivamente, nem sei o que escrever aqui...
Embora sinta necessidade de escrever algo!
A questão é que não consigo colocar em palavras o que estou sentindo no momento...
Por mais que tenhamos consciência de que já não dá, separar é sempre doloroso...
Muito doloroso, eu diria!
Noite de S. João para além do muro do meu quintal.
Do lado de cá, eu sem noite de S. João.
Porque há S. João onde o festejam.
Para mim há uma sombra de luz de fogueiras na noite,
Um ruído de gargalhadas, os baques dos saltos.
E um grito casual de quem não sabe que eu existo.
[Alberto Caeiro - Fernando Pessoa]
"Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
...
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
...
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
...
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
...
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
…
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
...
(Come chocolates, pequena;
Come cholocates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais do que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
...
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
...
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
...
Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
...
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
...
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal-disposto.
...
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu."
[Álvaro de Campos]
Aquilo que a gente lembra
Sem o querer lembrar,
E incerto se desmembra
Como um fumo no ar,
É a música que a alma tem,
É o perfume que vem,
Vago, inútil, trazido
Por uma brisa de agrado,
Do fundo do que é esquecido,
Dos jardins do passado.
Aquilo que a gente sonha
Sem saber de sonhar,
Aquela boca risonha
Que nunca nos quis beijar,
Aquela vaga ironia
Que uns olhos tiveram um dia
Para a nossa emoção -
Tudo isso nos dá o agrado,
Das flores que flores são
Nos jardins do passado.
Não sei o que fiz da vida,
Nem o quero saber.
Se a tenho por perdida,
Sei eu o que é perder?
Mas tudo é música se há
Alma onde a alma está,
E há um vago, suave sono,
Um sonho morno de agrado,
Quando regresso, dono,
Aos jardins do passado.
[Fernando Pessoa - 02.09.1935]
A mão que toca um violão se for preciso faz a guerra...
A mais ou menos três dias, amanheço cantarolando os versos de Viola Enluarada. Nem sei mesmo o por quê, já que não a escutava a muito tempo. A música de Marcos e Paulo Sérgio Valle foi escrita e gravada em 1967, difícil época na história brasileira, quando muitas músicas apresentavam conteúdo social.
E, para mim, Viola Enluarada é uma das músicas brasileiras mais carregada de mensagens de esperança e luta. Além, a interpretação do Marcos Valle com o Milton Nascimento é de deixar qualquer um absorto em pensamentos, arrepiado de emoção, ao mesmo tempo indignado com tanta injustiça.
Em um universo de 14.315 mensagens por ler em minha caixa do Yahoo, coincidentemente, hoje, 14 de Junho, dia em que Che Guevara completaria 81 anos, li um newsletter enviado pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra [MST] na semana passada.
O email continha um texto, transcrito mais adiante, intitulado Em defesa da educação e do Pronera. Como alguém que conhece o Programa desde o início, fiquei mesmo indignada com a leitura, principalmente pelos motivos que podem deixar 300 mil camponeses sem educação por todo o Brasil.
É mesmo óbvio: um País que gasta anualmente R$ 1,4 milhão por deputado federal, segundo dados de abril de 2008 do INESC [Instituto de Estudos SocioEconômicos], não tem interesse em educar a sua gente. Pessoas educadas para o pensamento livre, crítico e autônomo não interessam aos governantes brasileiros. Afinal, a quem os candidatos a deputados, senadores e blá blá blá poderão enganar a cada dois anos?
Em defesa da educação e do Pronera
Estamos mobilizados em todo o Brasil para defender a educação do campo, uma conquista dos movimentos sociais que lutam por Reforma Agrária no nosso país.
Nosso desafio é grande. Aprendemos com a luta que a Reforma Agrária vai além da simples conquista da terra, e passa necessariamente por uma política séria de educação. Nosso país figura entre os piores do mundo nesse sentido. Dados da Campanha Latino-Americana pelo Direito à Educação mostram que há 35 milhões de analfabetos nas nações latino-americanas. Mais de um terço destes são brasileiros. E apenas 0,2% são cubanos. Isso demonstra que investir na escolarização de um povo é vontade política, é determinação pela soberania, é vontade de construir uma história digna.
Por isso a educação é parte fundamental da luta do MST. A burguesia brasileira não admite que o conhecimento seja acessível aos pobres. E por isso enfrentamos tanto preconceito e barreiras para ter garantido o direito básico de estudar. Fazemos questão de montar escolas sempre onde montamos acampamentos. Temos um programa para erradicar o analfabetismo em nossas áreas e lutamos por políticas públicas que garantam a formação em todos os níveis.
Atualmente, 300 mil pessoas do MST estão estudando, incluindo crianças da Educação Infantil, passando pela Escola de Jovens e Adultos (EJA), cursos profissionalizantes e universidades. Mais de 50 mil pessoas já aprenderam a ler e escrever no MST.
Não reconhecemos o mesmo esforço por parte de nossos governantes. Segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), de 2007, 14 milhões de pessoas são analfabetas no Brasil. Se somarmos a este dado os analfabetos funcionais - pessoas que sabem ler, mas têm grandes dificuldades em interpretar textos - chegaremos a 32,1 milhões de pessoas, ou 26% da população acima de 15 anos de idade.
No campo, essa realidade é ainda mais cruel. Dados do IBGE apontam que 29,8% dos adultos são analfabetos e apenas 23% dos alunos de 10 a 14 anos estão na série adequada para sua idade.
O Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera)é um dos poucos programas federais voltados para alterar essa realidade. O Pronera tem como missão promover aos acampados e assentados o acesso à educação formal em todos os seus níveis, desenvolvendo ações desde a alfabetização, EJA, ensino fundamental, médio, cursos profissionalizantes, superiores e de especialização.
De 1998 a 2002, o Pronera foi responsável pela formação de 122.915 assentados. De 2003 a 2008, mais 400 mil jovens e adultos tiveram acesso à escolarização. Atualmente, 17.478 pessoas estão em processo de formação, em 76 cursos pelo Brasil.
No entanto, esse direito está ameaçado. O Incra, responsável por executar o programa, decidiu suspender todos os convênios para novos cursos. Além disso, o governo cortou 62% do orçamento do Pronera, proibindo ainda o pagamento de bolsas aos professores das universidades e aos educandos. Até os cursos em andamento podem ser cortados.
Não podemos aceitar essa retirada de direitos. Contamos com o apoio da sociedade brasileira para impedir que, mais uma vez, seja negado a um ser humano o direito elementar de conhecer e interpretar o mundo.
Queremos terra, Reforma Agrária e o direito de estudar para continuara transformar a realidade.
Por isso exigimos do governo federal:
- A recomposição do orçamento do Pronera
- A regularização do pagamento dos coordenadores e professores que trabalham nos cursos nas universidades
- A retomada da parceria para novos cursos, através de convênios e destaques orçamentários.
Movimento Sem Terra: Por Escola, Terra e Dignidade!
Coordenação Nacional do MST
Ao MST e todos que fazem o Pronera desejo sinceramente que todas as lutas sejam vencidas e que mais camponeses possam desfrutar de uma educação libertária! Para quem não conhece a música Viola Enluarada, deixo abaixo um vídeo do Youtube! Vale a pena clicar!